Tudo de Novo - Tributo ao Ronnie Von

depoimentos

Arnaldo Saccomani
(produtor e compositor)

"Na época eu e o Ronnie queríamos fazer algo diferente da Jovem Guarda. Só que o resultado ficou muito mais diferente do que imaginávamos. Foi o clima do estúdio, músicos, arranjadores que liberaram todas as idéias que eu e o Ronnie tivemos. Na época a gravadora sentiu um choque a hora em que ouviu o trabalho pronto. Mas entendeu a proposta de um grande Ídolo que queria ser ousado e  contemporâneo. O tempo mostrou que estávamos certos e eu estou muito feliz por ter tido a  honra de participar de um dos trabalhos mais importantes da música brasileira.''

 

Diego Medina
(cantor, compositor, ex-integrante da banda gaúcha Vídeo Hits)

"A Video Hits teve o primeiro contato com o maravilhoso disco psicodélico do Ronnie no final de 1999, quando mixávamos nosso primeiro disco com o produtor Thomas Dreher (isso antes da gente assinar com a Abril Music). Ficamos de boca aberta com o álbum e não conseguíamos entender como aquela obra-prima ainda era desconhecida pelo grande público. Em 2000 assinamos com a Abril Music. Propomos à gravadora que 'Sílvia 20 Horas Domingo' deveria entrar no disco a ser gravado para o selo e o pessoal de lá topou. Em julho do mesmo ano, fomos pro Rio de Janeiro gravar o álbum. Conhecemos pessoalmente o Ronnie numa seção de gravações de vocal numa tarde do inverno carioca, deve ter sido entre julho e agosto. O cara é um amor de pessoa, muito querido mesmo. Batemos um papo com ele sobre a gravação do seu álbum psicodélico e ele prontamente ia esclarecendo várias curiosidades nossas. Foi pouquíssimo tempo pra tantas perguntas que queríamos fazer pra ele, mas valeu muito a pena. Queria voltar a entrar em contato com ele. Nem sei se ele lembra de mim ainda, então fico meio acanhado de ligar pra casa dele e dar uma de fã babão que ainda sou. Mesmo assim, mando um grande beijão apertado pro moço. E digo mais uma vez que aquela tarde no Rio foi e sempre será inesquecível".

 

Manoel Barenbein
(produtor)

"A oportunidade de ter trabalhado e, principalmente, convivido com o Ronnie me é muito gratificante. E como nada é por acaso, isto aconteceu exatamente num momento de grandes mudanças dentro da música brasileira. E nessa fase, a capacidade criativa, a sensibilidade e o carisma do Ronnie o colocavam em destaque. Estas virtudes, aliadas à sua formação e caráter, o fazem permanecer até hoje entre os grandes nomes da música popular brasileira".

 

Leonardo Bonfim
(editor do site Freakium e participante do tributo)

“Os discos psicodélicos de Ronnie Von foram uma das primeiras paixões sixties que eu tive. Na época, achei bastante sofisticada aquela mistura de tropicalismo com uma efervescência pop que cheirava à jovem guarda. Há momentos sublimes como a versão para Dindi, de Tom Jobim, que pra mim é a melhor já gravada. É uma honra poder participar desse tributo, tocando uma pérola lisérgica e rara gravada originalmente com Os Baobás em 67, chamada “A Menina Azul”; ainda por cima ao lado de um mito da música brasileira: Plato Divorak. É passado e presente lado a lado na contramão da caretice popular brasileira.”  

 

Plato Divorak
(cantor e compositor gaúcho, um dos maiores divulgadores da obra de Ronnie Von, participante do tributo)

“Despiste os incautos que consideram Ronnie Von "brega" ou palavrão parecido... O fato é que ele deixou um grande legado de canções, rocks psicodélicos e experiências com a música pop dos sessenta, indo muito além da clássica jovem guarda. Basta lembrar que seu disco de 67 foi gravado com nada mais nada menos que os lendários Mutantes. Em 68, temos o energético hit "Chega de Tudo", bem soul music (com metais e tudo) e com acordes guitarreiros cheios de fuzz. E que disco! O seguinte, "No Reino do Parassempre...", talvez a obra mais conceitual de Ronnie, faz a gente sentir até vaga melancolia em sons e letras realistas e inspiradas. A minha versão para uma música obscura dele ("A Menina Azul") é para seu compacto de 1967, ao lado dos estridentes garageiros dos Baobás. A importância dos trabalhos do pequeno príncipe Ronnie Von é universal, ontem, hoje e amanhã. Por que não relançar suas pérolas em cds com letras impressas e bônus-tracks raras?!? E quando olho com atenção nas prateleiras do centro, sinto um vazio na carne: Ronnie é especial!!!”

 

Continental Combo
(banda paulista participante do tributo)

"Desde do The Charts (banda que toquei durante os anos 90 e que acaba de retomar suas atividades) passando depois pelo Momento 68 e agora mais recentemente com o Continental Combo o rock dos anos sessenta de bandas inglesas (mod, psicodélicas) ou americanas (com o folk rock ou bandas de garage) sempre foram a base das nossas referências musicais.

Claro que o rock brasileiro também faz parte deste cardápio, dos Mutantes ao discos da Tropicália e também os grupos menos conhecidos (mais com trabalhos sensacionais) como os Beat Boys, Liverpool, Baobás, só pra se ter alguns exemplos, e é nesse pacote que entram os geniais discos gravados por Ronnie Von, "Ronnie Von"/68, "A Misteriosa Luta do Reino do Parassempre Contra o Império do Nuncamais"/69 e a Máquina Voadora de 70, albuns que sem dúvida já fazem parte (mundo afora) dos grandes discos psicodélicos feitos nos criativos anos 60, com estes discos Ronnie trilhou o caminho da ousadia e se tornou cult.

O Continental Combo presta sua pequena homenagem neste tributo regravando a sua maneira (que acabou lembrando "Pictures of Matchstick Men" do The Status Quo) a faixa "Pare de Sonhar com Estrelas Distantes" feita em 69, a ótima letra da musica pode ser interpretada de muitas maneiras, entre elas, uma mensagem de Ronnie para as pessoas que sonham com o sucesso fácil.

Que com este tributo venham novos ouvintes, ajudando a eternizar as canções de Mr. Ronnie Von." (Sandro Garcia)